A inserção da mulher madura no mercado de trabalho


A importância que a mulher conquistou no mercado de trabalho foi sem dúvida a custos de muito sacrifício, preconceito por grande parte da sociedade e uma luta diária, árdua e cansativa. 

Antigamente a mulher era aprisionada, oprimida, tinha seus direitos inibidos e sua capacidade intelectual diminuída por conta do preconceito, aniquilador de seus sonhos e projetos pessoais. A mulher tinha o estereótipo de objeto, escrava, que tinha que servir a todos, ficando sempre por último, quando tinha opção. Ela era criada para ser a ”dona de casa”, sendo que não era bem dona e sim a serviçal. Sempre tratada com desprezo, não podia opinar, participar das conversas dos maridos, colaborar com as decisões domésticas. E o trabalho era só em casa. Ela não podia expor seus anseios, não tinha direito de estudar e se profissionalizar. As coisas foram mudando lentamente. 

Após a I e II Guerra Mundial a mulher se viu na condição de assumir os papéis que antes eram dos seus maridos, já que estes, estavam servindo ao seu país. Então, pouco a pouco, ela foi conquistando o seu espaço. Mas ainda não da forma ideal. Décadas se passaram e hoje em dia, a mulher mais dona de si, frequenta as mesmas universidades que antes não era permitido, tem as mesmas profissões que antes só os homens podiam ter, porém não as mesmas remunerações, ainda que tenham as mesmas e até melhores capacitações, muitas das vezes. Elas estão em grandes cargos, que pedem tomadas de decisões importantes. Estão na política, na ciência, se destacando cada vez mais. E isso, cada vez mais, está demonstrando para a sociedade a sua total igualdade de capacidade intelectual. 

Ainda está longe de ser a posição ideal. Após ela conseguir se inserir no mercado ainda tem que batalhar por melhores condições e enfrenta muitas adversidades. Tem que lidar com uma dupla jornada, porque a vida exige isso. Ela ainda tem o desafio de cuidar dos filhos e do lar, ainda que isso também seja obrigação do marido, pois o lar é feito de cooperação (ou deveria) e ela sofre pra conseguir dar conta de tudo. Ela ainda enfrenta um problema complicado: o tempo. Muitas mulheres, pelo fato de estarem em dupla jornada, tendo uma rotina intensa, acabam rendendo-se a ela, deixam de trabalhar fora e assumem totalmente o papel que antes lutavam pra modificar. O de dona-de-casa. Assim, ela passa grande parte da sua vida cuidando de filhos, não tendo tempo pra si mesma ou para continuar sua qualificação. Ou seja, no momento em que poderia estar produzindo e ampliando o seu espaço ela cede, ás vezes até se anula. E o tempo é implacável. 

Quando ela finalmente se vê estacionada no tempo, após ter “cumprido” o seu papel ela tenta retornar ao mercado de trabalho e se depara com um novo problema: a falta de qualificação. Porque estando fora do mercado, não se atualizou e deixou de renovar seus conhecimentos. 

Agora é mais difícil para ela reiniciar e realizar seus planos e projetos que ficaram estacionados. Mas nem tudo está perdido. Ela pode sim, recuperar o tempo perdido. 

O que falta são empresas que deem o devido valor a essa mulher, que mesmo necessitando se requalificar, tem experiência de vida, tempo disponível, é determinada e tem muita vontade de crescer e mostrar que é tão capaz quando qualquer outra mais jovem. Se ela acredita nisso, não há o que a impeça de ir em frente. Os obstáculos, ela já ultrapassou há muito tempo.

Texto de Andrea Inácio.
LinkedIn:   Andrea Inacio
Maio de 2020

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